Carregando...
Ultimas Notícias:
IBPT na imprensa   

Confirmado: poupança vai pagar Imposto de Renda

16/09/2009, Fonte: SERJUSMIG


Taxa de 22,5% incidirá sobre as aplicações acima de R$ 50 mil. Segundo o governo, medida afetará apenas 1% dos poupadores e permitirá continuidade das quedas dos juros básicos.


A tradicional caderneta de poupança vai mesmo ser mordida pelo leão do Imposto de Renda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que as aplicações com mais de R$ 50 mil vão sofrer a incidência de alíquota única do Imposto de Renda. A taxa cobrada será de 22,5% sobre os rendimentos dos valores que ultrapassarem o teto de R$ 50 mil. A expectativa é de que o projeto seja encaminhado ao Congresso até o fim da semana. Caso seja aprovado ainda este ano, o imposto da poupança já passa a valer em 1º de janeiro.
“Os pequenos poupadores não serão taxados”, garantiu Mantega. A tributação da poupança será adotada para permitir a continuidade da queda das taxas de juros (Selic), sem que isso acarrete migração maciça de recursos de aplicações como fundos de investimento para a poupança. Este ano, a Selic já recuou cinco vezes e está em 8,75% anuais. O temor do governo é que, com a queda da Selic, investidores desistam de aplicar nos fundos de investimento (que compram títulos do Tesouro Nacional), uma vez que eles renderão menos (devido à queda dos juros).
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o IR na caderneta renderá aos cofres públicos R$ 1,15 bilhão. A conta foi feita tendo em vista os saldos atuais da poupança, que tem R$ 85 bilhões sujeitos à tributação (contas acima de R$ 50 mil), com rendimento de R$ 5,1 bilhão, valor sobre o qual incidirão os 22,5%.
Apesar da promessa de que aqueles que têm menos de R$ 50 mil em aplicações serão poupados de mais um imposto, pequenos poupadores estão temerosos. A advogada Mariana Ramos Villela e o marido, analista de sistemas Rodrigo Augusto Junqueira Trindade, fazem poupança para os filhos, Benito, de 5 anos, e Otaviano, de 2 meses. O dinheiro dos cofrinhos e todas as quantias que ganham de presente de avós e tios vão para a aplicação que já soma cerca de R$ 12 mil. Há três meses, Benito quebrou o cofre e os R$ 210 que estavam lá também foram para a conta. Mas, se tiver a incidência de impostos, os pais podem fechar a conta e transferir os recursos para uma previdência privada.
Segundo o governo, 99% das pessoas com dinheiro na poupança contam com saldos inferiores a R$ 50 mil. Quase a totalidade dos poupadores, ou cerca de 80,5 milhões de pessoas, têm poupanças com valores entre R$ 100 e R$ 5 mil. Os que têm de R$ 5 mil a R$ 50 mil somam mais 8,5 milhões de brasileiros. Já os que têm acima dessa quantia são apenas 894,8 mil pessoas.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou que a proposta do governo federal de taxar as poupanças a partir de 2010 pode não ser suficiente para resolver o problema no longo prazo. “O projeto resolve com a realidade que está hoje. Talvez lá para a frente tenhamos que discutir de novo”, afirmou.
Na opinião do advogado tributarista do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco), Lázaro Rosa da Silva, a criação de uma lei para tributar a poupança representa um risco. “Aqueles que aplicam na caderneta são, muitas vezes, pessoas que economizaram a vida inteira para garantir uma segurança ou comprar uma casa. Não são especuladores”, lembra. Como esse dinheiro pode ser fruto de trabalho, ou seja, que já sofreu a incidência do Imposto de Renda, ele acredita que até mesmo a constitucionalidade dessa nova alíquota pode ser questionada. Lázaro Silva teme ainda alterações futuras tanto no valor (o piso de R$ 50 mil) quanto no percentual do tributo.
Já o economista da DLM Invista, Alberto Rocha vê as mudanças como positivas, apesar de reconhecer que os grandes investidores, pelo menos por enquanto, não estão tentados a migrar para a poupança. “Alguns de nossos clientes até fizeram consultas sobre o investimento na poupança, mas nenhum deles trocou as aplicações”, diz.
O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, acredita que se houvesse uma redução nos impostos incidentes sobre os fundos seria melhor do que criar um novo tributo sobre a poupança. “Esses que optam pela caderneta não são aplicadores, são simples poupadores”, observa. Por isso, ele não concorda com o imposto. Em sua opinião, a definição de uma alíquota única também é injusta. “Para ser melhor teria de ser progressiva por valor e por tempo de aplicação”, pondera.

 
Últimas notícias  

Confira as últimas
notícias cadastradas!

19/08/2010 - IBPT na imprensa
CE aprova instituição do Dia Nacional do Respeito ao Contribuinte
19/08/2010 - IBPT na imprensa
Brasileiro pagou em média 3 mil reais de imposto no 1º semestre deste ano
19/08/2010 - IBPT na imprensa
PER/DCOMP - Cuidados com Multas e Sanções
19/08/2010 - IBPT na imprensa
Vendas 7% maiores
19/08/2010 - IBPT na imprensa
MÁ GESTÃO DE DINHEIRO PÚBLICO LEVA À NECESSIDADE DE NOVOS TRIBUTOS
02/08/2010 - IBPT na imprensa
IBPT: carga tributária subirá de 35,02% para 37,9% do PIB
02/08/2010 - Estudos do IBPT
Tributos: Brasil arrecada muito pelo pouco que dá aos contribuintes, diz IBPT
02/08/2010 - IBPT na imprensa
Já pagamos R$ 700 bilhões
04/02/2010 - Estudos do IBPT
Carga Tributária Brasileira 2009 e Revisão dos Períodos Anteriores
18/09/2009 - IBPT na imprensa
Carga de impostos diminui pela primeira vez desde 2003


Instituição|Contato|Política de Privacidade|Newsletter|Cadastre-se

Copyright 1999-2010 - IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - Todos os direitos reservados.